Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira


Mercados internacionais operam em alta com sinalização de alívio na guerra comercial sino-americana; Bolsonaro discursa na ONU


(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera em leve queda de 0,17%, aos 104.637 pontos, em meio às preocupações a respeito do ritmo de crescimento da economia global, após uma série de dados negativos europeus serem divulgados, o que se conjugou às tensões comerciais sino-americana.


Hoje, as bolsas operam no positivo e os futuros de Nova York com viés de alta. O único mercado importante em queda nesta manhã é da Inglaterra, após o Tribunal Superior do país avaliar como ilegal a decisão do governo do primeiro-ministro, Boris Johnson, de fechar o Parlamento por cinco semanas.


No resto dos mercados, o otimismo ocorre após falas do secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, de que americanos e chineses devem voltar a conversar em duas semanas e que ele havia pedido � delegação chinesa que cancelasse visitas a fazendas do país na semana passada. Outro sinal positivo foi dado pela China com a encomenda de 600 mil toneladas de soja dos EUA, diz a Reuters.


No Brasil, os investidores monitoram, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), da semana passada, quando o Banco Central reduziu os juros a 5,5% ao ano – a menor taxa histórica. De acordo com o documento, o Copom vê projeções para inflação em níveis confortáveis.


Além disso, há a divulgação do IPCA-15, prévia da inflação que poderá corroborar com as expectativas do mercado de novos cortes até o final do ano.


Além disso, o Congresso realiza sessão conjunta, às 15h, para votar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020 (PLN 5/2019) e analisar vetos presidenciais, com destaque para os de abuso de autoridade. Dessa forma, a agenda de votação da reforma da Previdência foi alterada, devendo ocorrer amanhã.

Já às 10h00, o presidente Jair Bolsonaro fará o tão aguardado discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. A expectativa é de que o presidente aproveite a oportunidades e faça uma defesa da política ambiental e ressalte que o País está comprometido em combater o desmatamento, após a crise gerada pelos incêndios de grande proporção na Amazônia, que têm desgastado o governo.


Confira os destaques desta terça-feira:


1. Bolsas Internacionais


As bolsas internacionais operam majoritariamente em alta nesta manhã, com os principais índices asiáticos tendo fechado em alta, com os sinais de avanços nas conversas entre China e Estados Unidos para chegar a um acordo comercial.


Além de afirmar que a próxima rodada de negociações comerciais com a China ocorrerá em duas semanas, Mnuchin disse que houve progresso nas reuniões entre representantes na semana passada, e que deve ocorrer um encontro com o vice-premiê chinês, Liu He, no início de outubro.


Em entrevista � emissora Fox Business ontem � noite, o secretário informou que a decisão de cancelar visitas de uma delegação chinesa a comunidades agrícolas nos EUA foi do governo americano, que julgou o momento inadequado e disse que "não queria confusões" sobre as conversas entre os dois países.


No entanto, ele reafirmou que os asiáticos já começaram a comprar produtos agrícolas americanos, como acordado entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Mais cedo, Trump declarou que "aprecia muito" as aquisições por parte da China, mas que gostaria que eles comprassem mais produção agrícola.


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Na China, o presidente do Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês), Yi Gang, disse que a política monetária do país se manterá "estável e saudável", sinalizando que a autoridade monetária não planeja cortar juros para estimular o crescimento.


Em coletiva de imprensa, Yi declarou que a China evitará um "estímulo massivo". Ele afirmou que o nível da taxa de juros está "apropriado" e que não haverá grandes cortes na taxa de compulsório bancário.


O presidente do PBoC afirmou, ainda, que o crescimento econômico está numa faixa "razoável" e a inflação está "relativamente moderada". Além disso, Yi disse que o banco assume o compromisso de reduzir os custos de financiamento através de reformas.


Na Europa, com exceção do Reino Unido, as bolsas operam em alta. A Suprema Corte britânica suspendeu decisão de Johnson de fechar o Parlamento até 14 de outubro, e que os parlamentares devem agora decidir o que fazer em seguida.


Entre os indicadores, o índice de sentimento das empresas da Alemanha subiu de 94,3 pontos em agosto - que havia sido o menor nível desde novembro de 2012 - para 94,6 pontos em setembro, segundo o instituto alemão Ifo. O resultado superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta marginal do indicador a 94,4 pontos neste mês.


A melhora se deveu ao chamado subíndice de condições atuais, que avançou de 97,4 para 98,5 pontos no mesmo período. Por outro lado, o subíndice de expectativas econômicas do Ifo diminuiu de 91,3 pontos em agosto para 90,8 pontos em setembro, atingindo o menor nível desde junho de 2009 e reforçando temores de que a Alemanha caminha para uma recessão.


Entre as commodities, os preços do petróleo operam em baixa, com dados econômicos mais fracos da véspera e expectativa de recuperação da produção na Arábia Saudita. Os futuros do minério de ferro também apresentam retração, eliminado os ganhos da sessão anterior.


Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h23 (horário de Brasília):


*S&P 500 Futuro (EUA), +0,30%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,34%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,29%


*DAX (Alemanha), +0,07%
*FTSE (Reino Unido), -0,10%
*CAC-40 (França), +0,23%
*FTSE MIB (Itália), +0,29%


*Hang Seng (Hong Kong), +0,22% (fechado)
*Xangai (China), +0,28% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,09 (fechado)


*Petróleo WTI, -1,14%, a US$ 57,97 o barril
*Petróleo Brent, -1,27%, a US$ 63,95 o barril
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 2,43%, cotados a 622,50 iuanes, equivalentes a US$ 87,62 (nas últimas 24 horas).


*Bitcoin, US$ 9.747, -2,29%
R$ 41.200, -1,79% (nas últimas 24 horas)


2. Agenda Econômica


No Brasil, às 8h00, o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Copom, destacando que o Comitê vê a inflação em níveis confortáveis. 


"Essa trajetória de curto prazo reflete, dentre outros fatores, comportamento benigno de alguns componentes mais voláteis da inflação e dinâmica da inflação importada, cujos vetores altistas têm sido moderados pela trajetória de preços externos”, aponta o documento. 


Já as 9h00, o IBGE divulga o IPCA-15 de setembro. 


Destaque ainda para a divulgação da arrecadação de tributos federais e contribuições previdenciárias do mês de agosto, às 10h30, pela Receita Federal.


Nos Estados Unidos, os destaques são as publicações, às 10h00, do índice de preços de imóveis residenciais e, às 11h00, da sondagem industrial do Fed de Richmond e da confiança do consumidor.


3. Bolsonaro e ONU


O presidente Jair Bolsonaro terá encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, poucos minutos antes de seu pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, previsto para as 10h00. Tradicionalmente, cabe ao presidente do Brasil fazer o discurso de abertura, seguido do presidente dos Estados Unidos.


Pelas redes sociais, Bolsonaro disse que o discurso será “a oportunidade de apresentar ao mundo o Brasil que estamos construindo”. Não estão previstos encontros bilaterais com outros chefes de Estado – havia expectativa de uma reunião com Donald Trump. A agenda inclui, segundo o Palácio do Planalto, um encontro com o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.


Após o discurso lacônico no Fórum de Davos, em janeiro, quando falou � elite global, dessa vez Bolsonaro cuidou pessoalmente do seu discurso, que é muito aguardado pela comunidade internacional, com menções às ações do governo de proteção ao meio ambiente, ressaltando a soberania nacional sobre a Amazônia, pontua o jornal Valor Econômico.


Na véspera do discurso, porém, o Brasil ficou isolado do principal foro de discussão sobre o meio ambiente. Ontem, líderes internacionais, entre eles o presidente francês, Emmanuel Macron, debateram os rumos das florestas tropicais no mundo, incluindo a Amazônia. Apenas o governador do Amapá, Waldez Góes, representou o Brasil, mas sem discursar – por decisão do Itamaraty, segundo o Estadão.


No encontro, foi anunciada a liberação de US$ 500 milhões por parte do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da ONG Conservação Internacional para ajudar na proteção das florestas. Apesar destes recursos, que podem ser utilizados na Amazônia, o governo Bolsonaro tem rejeitado ajuda internacional, principalmente vindo da Europa.


4. Congresso e Economia


O Congresso Nacional se reúne em sessão conjunta hoje, às 15h, para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2020 (PLN 5/2019). Será a quarta vez que o Congresso é convocado para analisar a LDO, sem a qual não é possível elaborar o orçamento do próximo ano. Dessa forma, a votação da reforma da Previdência, prevista inicialmente para hoje, será alterada para amanhã.


A LDO foi aprovada no início de agosto pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e mantém a proposta original do Poder Executivo de reajuste do salário mínimo para R$ 1.040 em 2020, sem ganhos reais. O texto prevê para 2020 um déficit primário de R$ 124,1 bilhões para o governo central, montante inferior ao deste ano, de R$ 139 bilhões.


Estão na pauta do Congresso ainda 15 vetos presidenciais sobre leis sancionadas recentemente. Entre eles, destaca-se o que se refere � gratuidade para bagagens de até 23 quilos nos aviões a partir de 31 assentos e de vários trechos da lei de abuso de autoridade – que teve das 53 condutas tipificadas como abusivas, 23 vetadas.


Adicionalmente, os parlamentares vão votar a proposta que libera aproximadamente R$ 3 bilhões em emendas parlamentares, que serão usadas para obras e investimentos em suas bases eleitorais. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, vem sendo pressionado para votar a liberação dos recursos, como forma de garantir votos favoráveis � aprovação da reforma da Previdência.


Na política, o Estadão destaca que, após tentar criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar membros do Supremo Tribunal Federal (STF), um grupo de 21 senadores prepara uma Proposta de Emenda � Constituição (PEC), estabelecendo prazo para mandatos de ministros da corte – de oito a dez anos, sem possibilidade de recondução e alterando critérios de escolha dos ministros.


Ainda sobre o STF, o presidente Dias Toffoli marcou para amanhã a análise pelo Plenário de habeas corpus apresentado pela defesa de um antigo executivo da Petrobras que discute o direito de um réu se manifestar na ação penal antes das alegações finais. Essa votação poderá alterar uma série de condenações da Lava Jato e, eventualmente, beneficiar o ex-presidente Lula.


Já na economia, o ministro Paulo Guedes disse ontem � noite que o governo vai acelerar nos próximos dias os estudos para a reforma tributária. "Semana que vem a gente já começa a entrar com a nossa proposta tributária", garantiu, durante palestra em Belo Horizonte.


Durante o dia, em entrevista � rádio Jovem Pan, ele havia afirmado ontem que o governo “se auto implodiu” com o veto � discussão sobre um novo tributo que seria cobrado sobre os meios de pagamento, aos moldes da antiga CPMF. Segundo ele, a proposta estava praticamente pronta, mas começou a dar errado quando a Câmara e o Senado passaram a disputar protagonismo.


Guedes afirmou ainda, em Belo Horizonte, que, após a Previdência, o governo gostaria de tratar do pacto federativo com o Congresso, mas os parlamentares estavam dispostos a debater no momento a reforma tributária. Ele reconheceu ainda as críticas aos resultados da política econômica até agora, mas ressaltou que vê avanços desde a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder.


De acordo com o ministro, a economia já está "começando a andar mais rápido neste semestre" e que ano que vem "vai andar mais rápido ainda". "Dá um tempo, um apoio", pediu, acrescentando: "O primeiro ano é de sacrifício. No segundo, a economia está se movendo melhor. No terceiro, decolar. E no quarto estará em velocidade de cruzeiro", argumentou.


Guedes afirmou ainda que o governo está debruçado em um programa de privatização que "virá com força" no ano que vem. O ministro, porém, não deu detalhes do processo de privatizações. Ao comentar as perspectivas para os próximos meses, Guedes garantiu que virá uma reforma do saneamento, com o apoio do BNDES.


5. Noticiário Corporativo


O Banco do Brasil e o UBS assinaram memorando de entendimento para estabelecer uma parceria na prestação de serviços de banco de investimento e de corretora de valores no segmento institucional no Brasil e em determinados países da América do Sul. O objetivo é que o UBS seja acionista majoritário (50,01%) na parceria.


A plataforma da Petrobras Cidade de Santos está parada desde quinta-feira devido a inconformidades identificadas por uma auditoria promovida pela Operação Ouro Negro, que realiza inspeções e fiscalizações em plataformas marítimas de produção de petróleo e gás natural. A produção diária da plataforma é de aproximadamente 8,5 mil barris de petróleo por dia.


A Petrobras informou ainda sobre uma ocorrência com a plataforma P-50, na Bacia de Campos, no campo de Albacora Leste, na noite de domingo, 22, quando houve o rompimento de amarra do sistema de ancoragem. Segundo comunicado, a produção foi preventivamente interrompida naquela ocasião. Por dia, a unidade produz em média 20 mil barris de petróleo.


O jornal Valor Econômico traz que o governo não mudou de ideia em relação a um projeto de lei que prevê a privatização da Eletrobras. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse � publicação que “mantém-se a ideia da capitalização”, mesmo após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, alertar sobre os riscos da proposta não prosperar.


(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado e Bloomberg)


fonte: InfoMoney
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