Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira


Mercados operam de forma mista em meio à decisões de políticas monetárias; no Brasil, Petrobras anuncia reajuste no preços dos combustíveis


(Beto Nociti/BCB)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou a sessão da véspera com leve queda de 0,08%, aos 104.532 pontos, refletindo não só a decisão do Federal Reserve de confirmar a aposta majoritária do mercado de corte de 0,25 pontos porcentuais dos juros como o próprio discurso do presidente da autoridade monetária dos EUA, Jerome Powell, que falou sobre as preocupações com o exterior, não descartando novas reduções das taxas no futuro.


Hoje, os futuros de Nova York abriram em leve queda, refletindo a decisão do Fed da véspera. Os investidores monitoram ainda as conversas previstas para hoje entre autoridades de segundo escalão dos Estados Unidos e da China, em Washington, para tentar avançar na elaboração de um acordo comercial entre as duas maiores economias globais. Essas conversas são preliminares � uma rodada prevista para outubro, quando as negociações podem avançar.


No Brasil, o destaque fica por conta da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que, conforme o esperado, fez o segundo corte seguido de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, que chega a 5,50%, a menor taxa básica de juros da história. Já na política, em meio às negociações da reforma tributária, Governo, Câmara e Senado buscam entendimento para a formação de uma proposta conjunta.


A Petrobras anunciou reajuste de 3,5% na gasolina e de 4,2% do óleo diesel nas refinarias. A revisão, que passou a valer a partir da zero hora dessa quinta-feira, é uma reação ao atentado a refinarias na Arábia Saudita, que fez com que a commodity oscilasse até 20% na última segunda-feira.


O noticiário político também está movimentado. A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta mandados de busca e apreensão no Congresso Nacional, tendo como principal alvo o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo do presidente Jair Bolsonaro no Senado.


Confira os destaques desta quinta-feira:


1. Bolsas Internacionais


Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, em meio a um conjunto de decisões de política monetária.


O Banco do Japão (BoJ, pela sigla em inglês) decidiu manter sua política monetária inalterada, mas ressaltou que irá acompanhar mais de perto as condições econômicas e de preços em sua próxima reunião, marcada para 30 e 31 de outubro.


Segundo o presidente do BC japonês, Haruhiko Kuroda, a instituição está mais inclinada a adotar novas medidas de estímulo do que estava em sua reunião de política monetária anterior, em julho.


"Se me perguntarem se estou mais positivo sobre relaxamento adicional em comparação � reunião anterior, minha resposta é sim", disse Kuroda. "Não há sinal de recuperação nas economias externas."


Segundo Kuroda, os riscos externos estão crescendo, principalmente os relacionados a iniciativas protecionistas e fatores geopolíticos, mas o consumo doméstico e os planos de investimentos de empresas no Japão permanecem sólidos.


Kuroda reiterou que as opções de relaxamento adicional estão cortar ainda mais a taxa de depósito, reduzir a meta de 0% para o rendimento do bônus do governo japonês de 10 anos, ampliar suas compras de ativos e expandir a base monetária em ritmo mais acelerado. Ele destacou, no entanto, não haver necessidade de mudar a atual estrutura da política.


Na Europa, as bolsas operam em alta, também no aguardo da decisão de política monetária, neste caso do Banco da Inglaterra, o que deverá ocorrer às 8h00 pelo horário de Brasília.


Entre os indicadores, as vendas no varejo do Reino Unido caíram 0,2% em agosto ante julho. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam redução um pouco maior nas vendas, de 0,3%.


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Na comparação anual, o setor varejista britânico ampliou as vendas em 2,7% em agosto. Neste caso, a projeção era de acréscimo menor, de 2,6%.


Entre as commodities, o petróleo opera em alta acima de 2%, mesmo com o anúncio por parte da Arábia Saudita de que irá restabelecer a produção total das instalações destruídas, por um ataque com drone no final de semana, até o final de setembro.


A tensão no mercado de petróleo, porém, segue. O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que o Tesouro dos EUA “aumentasse substancialmente as sanções” contra Teerã. O Irã negou envolvimento nas greves.


Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h44 (horário de Brasília):


*S&P 500 Futuro (EUA), -0,22%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,35%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,22%


*DAX (Alemanha), +0,15%
*FTSE (Reino Unido), +0,58%
*CAC-40 (França), +0,38%
*FTSE MIB (Itália), +0,72%


*Hang Seng (Hong Kong), -1,07% (fechado)
*Xangai (China), +0,46% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,38% (fechado)


*Petróleo WTI, +1,88%, a US$ 59,20 o barril
*Petróleo Brent, +2,52%, a US$ 65,20 o barril
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 4,64%, cotados a 637,50 iuanes, equivalentes a US$ 89,83 (nas últimas 24 horas).


*Bitcoin, US$ 9.877,61, -3,41%
R$ 41.678, -1,03% (nas últimas 24 horas)


2. Agenda Econômica


No Brasil, os indicadores previstos para saírem às 10h00 são o da CNI de confiança do empresariado industrial de setembro e da CNC de intenção dos consumo das famílias.


Nos EUA, às 9h30, serão publicados os pedidos de auxílio-desemprego semanais e o índice de atividade regional de setembro elaborado pelo Fed Filadélfia.


Às 11h00, o Conference Board informa os indicadores antecedentes de agosto e o NAR as vendas de moradias usadas.


Destaque ainda para a divulgação do PIB da Argentina, às 16h00, referente ao segundo trimestre.


3. Juros


Após a aguardada decisão de cortar em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic, agora resta a expectativa sobre os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo com a depreciação cambial depois da última reunião, em julho, os economistas avaliam que a inflação deve seguir bastante confortável, uma vez também que é grande a ociosidade na economia.


No comunicado, o Copom reforçou a visão de que o ciclo de corte de juros ainda não acabou, avaliando "que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo". Além disso, o comitê do Banco Central ressaltou que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.


De um lado, o BC diz que o "nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado". Do outro, há ainda o risco de que uma eventual frustração com a continuidade das reformas possa afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação, podendo se agravar em caso de piora do cenário externo.


Na esteira da decisão do Copom, bancos privados já anunciaram cortes dos juros de suas linhas de crédito para pessoa física e jurídica. O Itaú pretende reduzir as taxas já a partir de amanhã, de acordo com o perfil do cliente, enquanto o Bradesco anunciou cortes dos juros a partir da próxima segunda-feira.


O presidente Jair Bolsonaro comemorou no Twitter o corte de juros pelo Banco Central. "Em nosso governo, pela segunda vez, a mais baixa taxa de juros da história do Brasil. É a economia dando certo", escreveu o presidente. A mensagem já teve mais de 2 mil compartilhamentos, 9,9 mil curtidas e 800 comentários.


Economistas afirmaram que o comunicado apresentado pelo Copom sinaliza que há espaço para mais afrouxamento monetário, ou seja deve ocorrer novos cortes na Selic.


O economista do Santander Rodolfo Margato disse que o tom do comunicado reforça a expectativa do banco de que a taxa Selic encerre o ano em 4,5%, com mais dois cortes seguidos de 0,50 ponto. O Santander também reitera a expectativa de Selic estável em 4,5% ao longo de 2020. "O grande destaque do comunicado foi a questão das expectativas, principalmente no cenário híbrido", afirma.


A economista-chefe da Ourinvest Investimentos, Fernanda Consorte, disse que, apesar de não fazer projeções para taxa de juros, avalia ser perfeitamente factível a Selic encerrar ano entre 5% e 4,5%. Pesa também a favor, diz, da continuidade dos cortes da Selic, o fato de o cenário de baixa atividade pelo qual passa a economia não possibilitar repasses da alta do dólar para os preços.


4. Operação da PF, reforma tributária e eleitoral


A Polícia Federal cumpre� mandados de busca e apreensão no Congresso Nacional, tendo como principal alvo o senador Fernando Bezerra Coelho, líder do governo do presidente Jair Bolsonaro no Senado.


A operação foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal(STF), e faz parte de uma investigação sobre desvio de dinheiro público de obras no Nordeste. A investigação tem como base acontecimentos da época em que Bezerra Coelho era ministro da Integração Nacional do governo de Dilma Rousseff (PT).


A investigação tem como base delações premiadas de doleiros e empresários, com a suspeita de que dinheiro de contratos superfaturados ou fictícios de obras vinculadas ao Ministério da Integração Nacional tenha sido desviado para campanhas dos políticos.


Ainda no noticiário político, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), diz não ver problema na criação de uma comissão mista do Congresso para discutir a reforma tributária. A possibilidade foi aventada pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA), relator da proposta no Senado. Atualmente, Câmara e Senado discutem textos diferentes. O governo federal, por outro lado, estuda o conteúdo de uma reforma própria.


"O importante é convergir os textos", disse Maia. De acordo com ele, há uma convergência entre os governadores, principalmente de São Paulo e do Amazonas, para discutir uma proposta de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) único com um prazo de transição mais curto, e mudanças no comitê gestor para dar mais poderes aos Estados.


"Acho que já temos meio caminho andado quando a gente tem quase toda a federação apoiando a proposta. Faltam apenas os prefeitos das capitais", disse Maia. Para ele, os setores de serviços, que hoje são contrários � proposta, deverão ser "patriotas" na reforma tributária assim como foram na da Previdência.


Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) relatou que conversou com Maia sobre a possibilidade de unificação das propostas e afirmou que “é uma possibilidade”. “A gente tem que buscar uma forma regimental e tentar construir", declarou, cobrando, também, do governo federal um engajamento na proposta, que precisa estar “mais presente” na discussão.


"A gente não vê o governo apresentando de fato uma sugestão que possa incorporar, aprimorar, melhorar, contribuir o texto das reformas que estão tramitando", declarou Alcolumbre. "Falta a participação mais próxima das Casas, lógico que (a participação que falta) é da equipe econômica."


Enquanto isso, o relator da reforma tributária do Senado, Roberto Rocha, apresentou ontem o parecer da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, deixando de fora a cobrança de um imposto sobre movimentação financeira, nos moldes da extinta CPMF. Além disso, desistiu de propor uma redução no imposto sobre a folha de salários.


A proposta do Senado cria o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), que terá as características de um imposto sobre valor adicionado (IVA), e foi dividido em duas partes, adotando o chamado IVA dual: um com a fusão dos cinco impostos e contribuições federais (IPI, Cofins, PIS, IOF e salário-educação) e outro com a junção do ICMS (estadual) e do ISS (municipal).


Em razão de um pedido de vista, a votação da PEC 110/2019 foi adiada, mas a presidente do colegiado, senadora Simone Tebet (MDB-MS), adiantou que, no dia 2 de outubro, o texto deverá ser discutido e votado pela CCJ, já com sugestões feitas pelo governo.


Ainda na política, o Plenário da Câmara aprovou o projeto que altera regras eleitorais, que agora será enviado � sanção presidencial. Para valer nas eleições municipais do próximo ano, as regras precisam ser publicadas em até um ano antes do pleito, ou seja, até o começo de outubro deste ano.


O texto aprovado, entre outras mudanças, prevê exceções ao limite de gastos de campanhas; estabelece itens nos quais podem ser usados recursos do Fundo Partidário; define critérios para análise de inelegibilidade; e autoriza o retorno da propaganda partidária semestral. Os deputados acataram quatro exclusões propostas pelos senadores, acompanhando o parecer do relator, deputado Wilson Santiago (PTB-PB).


A aprovação, porém, retoma parte das benesses aos partidos aprovadas pelos deputados no início do mês e que haviam sido derrubadas pelos senadores na terça-feira. O Estadão destaca que foram resgatados dois pontos que, segundo analistas, podem facilitar o uso de caixa 2.


Um deles é a anistia a multas por desaprovação de contas de campanha e, o outro, a permissão para que o pagamento de advogados não entre no limite de gastos de campanha e possa ser quitado por doações de pessoas físicas sem limite de valor.


Outras regras que beneficiam os partidos, diz o Estadão, são brechas para aumentar o valor destinado ao fundo eleitoral, a autorização para usar recursos públicos na construção de sede partidária, a contratação de advogados para defender filiados investigados, a volta do tempo de propaganda em rádio e TV e a permissão para que o dinheiro do fundo eleitoral seja usado para pagar multas e impulsionar conteúdo na internet (o que hoje é proibido).


5. Noticiário Corporativo


A alta do preço do petróleo no mercado internacional chegou ao Brasil. Após anunciar que manteria os valores inalterados no início da semana, a Petrobras optou por elevar o preço dos combustíveis, seguindo alinhamento com os preços no mercado internacional, em meio � questionamentos sobre uma possível ingerência do governo., reajustou os valores no mercado interno.


Ainda sobre a Petrobras, a empresa informou que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu decisão favorável em processo administrativo fiscal no valor de R$ 16,4 bilhões. Segundo a companhia, o processo se refere � dedutibilidade de gastos incorridos pelo desenvolvimento da produção de petróleo e gás, para fins de apuração IRPJ e CSLL referentes aos exercícios de 2012 e 2013.


A Duratex anunciou o encerramento da produção de painéis de madeira da unidade de Botucatu (SP), cuja operação está suspensa desde novembro de 2018. Adicionalmente, vendeu imóveis rurais, ativos florestais e cedeu parcerias rurais na região central do Estado de São Paulo, o que deverá gerar um lucro líquido extraordinário ao redor de R$ 230 milhões, com impacto no caixa de cerca R$ 450 milhões líquidos.


A Linx, especialista em tecnologia para varejo, assinou uma parceria com a AME, fintech e plataforma de negócios mobile da Lojas Americanas e B2W, para integração entre o QR Linx e a carteira digital. O QR age como um hub de carteiras centralizando todas as plataformas de meios de pagamento em uma única ferramenta.


Os trabalhadores da Embraer aprovaram aviso de greve informou o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que pode ser deflagrada a partir de segunda-feira. Os metalúrgicos reivindicam reajuste de 6,37%, que corresponde � inflação do período somada a 3% de aumento real. A entidade afirma que a Embraer não aplica aumento real aos salários há quatro anos.


A Usiminas assinou com o governo do Estado de Minas Gerais compromisso de investimentos no valor de R$ 219,8 milhões. O documento, um protocolo de intenções, foi celebrado em conjunto com as controladas Mineração Usiminas (Musa) e Unigal para atividades de siderurgia e mineração.


(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Câmara e Bloomberg)


fonte: InfoMoney
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